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15 Mar 2026
5 min de leitura

Comunicação não Violenta jamais vai ser perfumaria

A Comunicação Não Violenta tira a comunicação do campo do conflito e a coloca no campo da eficiência

Filipe Chicarino
Filipe ChicarinoFacilitador de Comunicação

Apesar de estar há três anos fora de sala de aula, eu nunca abandonei o lugar da docência. Pra mim, um dos espaços profissionais mais sagrados, já que não formamos apenas futuros profissionais, mas também contribuímos para a formação humana dessas pessoas. Ou, pelo menos, deveríamos contribuir. A experiência como professor me fez compreender, com profundidade, o quão importante é apresentar ao discente um feedback não violento.

          Digo isso, porque, a depender da qualidade do conteúdo embutido nesse feedback, a consequência poderá seguir por dois caminhos distintos. O estudante pode: se motivar para ser um profissional ainda mais qualificado, ou… ter uma baita dificuldade de acreditar em si mesmo pelo resto da vida. O feedback, pode ser positivo ou negativo, mas nunca pode deixar de ser humano. Humanizar a devolutiva é garantir que a pessoa saia da conversa sabendo o que precisa melhorar, mas se sentindo capaz de fazer isso. É criticar o processo preservando a dignidade do indivíduo. Essa é uma das grandes lições que aprendi sobre **Comunicação Não Violenta**.
        



        
          No meio corporativo, às vezes, esse processo de acolhimento e escuta ativa é tratado como “perfumaria”. E não dá para tratar como “perfumaria” o que deveria estar na mais alta prateleira da cultura organizacional de qualquer empresa, independente do seu tamanho.
        



        
          A **Comunicação Não Violenta** funciona como uma ferramenta de precisão técnica. Ela tira a comunicação do campo do conflito e a coloca no campo da **eficiência**.
        



        
          Se o **feedback humano** é o momento em que preservamos a dignidade e o respeito, existem outros pilares que garantem que essa engrenagem funcione sem triturar pessoas pelo caminho.
        



        
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            **Fatos, não julgamentos**: No jornalismo, o fato é o que sustenta a verdade. Na gestão, ele é o que sustenta a cobrança justa. Se um colaborador atrasa o relatório pela quarta vez, dizer que ele é "descompromissado" é um julgamento que gera resistência e negação. O fato é a recorrência: "Este é o quarto atraso em um mês". Contra fatos e dados, não há argumento. O foco deixa de ser o caráter do profissional e passa a ser o comportamento que precisa de correção imediata. O fato isola o problema e coloca a responsabilidade no colo de quem deve resolver.
          

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            **O compromisso com a clareza**: Muitas "tretas" corporativas nascem da preguiça de dizer o óbvio. O gestor espera que o time adivinhe expectativas. **Clareza** é respeito. O óbvio precisa ser verbalizado de forma direta para reduzir a ansiedade e evitar o erro por suposição.
          

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            **Escuta Ativa como inteligência de dados**: Ouvir não é passividade; é colheita de informação. Quando você pratica a escuta ativa, você entende a causa raiz do problema antes de disparar uma ordem. É trocar o monólogo autoritário por uma prosa de alinhamento que gera solução real.
          

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            **Necessidade gera Responsabilidade**: Toda cobrança tem uma necessidade por trás. Quando o líder para de dar ordens secas e começa a expressar a necessidade do negócio: "precisamos de agilidade para garantir a entrega do cliente", ele convida o colaborador para ser parceiro do resultado, e não apenas um cumpridor de tarefas.
          

        

        
          A **Comunicação Não Violenta** é o que garante que o resultado apareça sem que as pessoas desapareçam durante o processo. É estratégia pura.
        



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          Afinal, uma prosa é sempre melhor que uma treta.